Verificar quem um perfil público segue no Instagram, confirmar se uma conta de aplicativo de namoro é real ou checar os seguidos recentes de um contato leva menos de 30 segundos. A pergunta que surge logo depois costuma ser mais lenta: isso é permitido pela lei?
O quadro geral é menos restritivo do que muitas pessoas imaginam. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) aplica-se a dados de perfis do Instagram, mas não proíbe a consulta individual de informações que o próprio usuário decidiu tornar públicas. Na União Europeia, o GDPR segue lógica parecida. No plano internacional, o precedente mais citado sobre o tema é a decisão do Nono Circuito federal norte-americano no caso hiQ Labs v. LinkedIn, de 2022.
Este artigo percorre os três pilares legais que definem o que é permitido, o que é tolerado e o que ultrapassa a linha.
Pontos-chave
- Ver dados de perfis públicos do Instagram é permitido quando a finalidade é pessoal e proporcional.
- A LGPD aplica-se a esses dados, mas contempla o interesse legítimo como base jurídica suficiente.
- O caso hiQ Labs v. LinkedIn (2022) é o precedente internacional mais sólido sobre acesso a dados públicos de redes sociais.
- Os limites reais são assédio, acesso a contas privadas, doxing e uso comercial sem base jurídica.
- Ferramentas que exigem sua senha do Instagram não são legítimas; ferramentas que acessam apenas dados públicos são.
A resposta curta: na maioria dos casos, sim
Consultar um perfil público do Instagram, ver a lista de seguidos ou verificar a existência de uma conta pelo navegador é legal na maioria das jurisdições, incluindo o Brasil. A condição é objetiva: o perfil precisa ser público e a finalidade deve se enquadrar em uso pessoal, jornalístico, acadêmico ou de interesse legítimo verificável. Quando essas duas condições se combinam, não há infração penal ou civil no Brasil, na União Europeia ou na maior parte das demais jurisdições relevantes.
O Instagram determina quais dados expõe em suas páginas públicas. Quando alguém mantém a conta sem restrições de privacidade, seus seguidos, publicações e interações ficam acessíveis a qualquer visitante. Acessar essa informação não exige contornar nenhum sistema nem implica o uso de credenciais alheias. A distinção jurídica relevante é entre consultar dados que o Instagram já exibe livremente e acessar informações protegidas por autenticação ou configurações de privacidade. A primeira conduta é permitida. A segunda não é.
Para ver os seguidos recentes de qualquer conta pública de forma totalmente anônima, você pode usar o quemsegue.com/pt/followers agora, sem cadastro nem senha.
Cápsula de citação: O Nono Circuito federal dos EUA confirmou em 2022 que acessar dados publicamente disponíveis em redes sociais não constitui acesso "não autorizado" nos termos da Computer Fraud and Abuse Act. A mesma lógica se aplica ao Instagram quando o perfil é público. Fonte: California Lawyers Association, 2022
O que a lei considera "dado público"?
Dado público é aquele que o próprio titular decidiu tornar visível para qualquer pessoa, sem exigir autenticação. No Instagram, um perfil com conta aberta tem seus seguidos, publicações e bio acessíveis a visitantes não autenticados. Tanto a legislação brasileira quanto a europeia reconhecem essa categoria, embora isso não elimine integralmente a aplicação das normas de proteção de dados.
A LGPD define "dado pessoal" como qualquer informação relacionada a uma pessoa natural identificada ou identificável. O nome de usuário do Instagram, a foto de perfil e a lista de seguidos de uma conta pública se enquadram nessa definição. Ao mesmo tempo, a LGPD admite o tratamento de dados pessoais quando existe interesse legítimo do responsável pelo tratamento, desde que os direitos e liberdades fundamentais do titular não prevaleçam sobre esse interesse (artigo 7º, inciso IX, Lei 13.709/2018).
Para uma consulta individual com finalidade pessoal razoável, verificar o perfil de alguém que você conheceu em um aplicativo de relacionamento, por exemplo, esse interesse legítimo é facilmente justificável. Para usos em larga escala ou com propósitos comerciais, a análise muda. Para entender como consultar dados de forma anônima, veja o guia como ver o Instagram de forma anônima em 2026.
Cápsula de citação: A LGPD define dado pessoal como qualquer informação que identifique ou permita identificar uma pessoa natural. Dados publicados em perfis públicos do Instagram se enquadram nessa definição, mas o artigo 7º, IX admite o tratamento com base no interesse legítimo quando proporcional ao direito do titular. Fonte: Lei 13.709/2018, Planalto
O que o caso hiQ Labs v. LinkedIn estabeleceu?
Em abril de 2022, o Nono Circuito federal dos EUA decidiu que o web scraping de perfis públicos do LinkedIn não viola a Computer Fraud and Abuse Act (CFAA). O raciocínio central é preciso: se qualquer visitante pode ver o dado sem se autenticar, não existe "acesso não autorizado" no sentido técnico nem jurídico da lei. O termo "acesso não autorizado" da CFAA refere-se a invasores, não a leitores de páginas abertas (Cornell Law School, 18 U.S.C. § 1030).
O caso começou quando o LinkedIn tentou bloquear a hiQ Labs, uma empresa que usava dados públicos de perfis profissionais para vender análises a clientes corporativos. O LinkedIn argumentou que o scraping era ilegal sob a CFAA. O tribunal rejeitou esse argumento de forma explícita e ordenou ao LinkedIn que não bloqueasse a hiQ. A Electronic Frontier Foundation acompanhou o caso como amicus curiae e publicou análise detalhada da decisão (EFF, hiQ v. LinkedIn).
O precedente afeta os usuários de ferramentas como o Last Followed: quando você consulta os seguidos de um perfil público do Instagram por meio de uma ferramenta que acessa dados que o próprio Instagram já expõe, não há acesso não autorizado. O caso não é vinculante no Brasil, mas reguladores e tribunais de outros países o citam como referência analógica ao analisar casos semelhantes.
Cápsula de citação: O julgamento de 2022 em hiQ Labs v. LinkedIn estabeleceu que acessar dados publicamente disponíveis na internet não constitui o crime informático tipificado na CFAA. Esse argumento é o escudo legal mais sólido para ferramentas de análise de dados públicos de redes sociais no cenário jurídico internacional. Fonte: EFF, 2022
O que o GDPR diz sobre dados públicos do Instagram?
O GDPR aplica-se a dados públicos do Instagram: o fato de um perfil ser aberto não exime do cumprimento dos princípios de finalidade e proporcionalidade. O acesso pessoal para tomar uma decisão própria tem base jurídica pelo artigo 6(1)(f) do GDPR, desde que o propósito seja razoável e não prejudique os direitos do titular.
O GDPR define "dado pessoal" de forma ampla: qualquer informação que identifique ou permita identificar uma pessoa física, independentemente de ser pública. O nome de usuário do Instagram, as fotos do perfil e a lista de seguidos de uma conta pública são dados pessoais nessa definição. A versão consolidada em português do regulamento está disponível no EUR-Lex (EUR-Lex, Regulamento UE 2016/679). O que muda em relação a dados não públicos é a base jurídica disponível: um usuário que verifica se um perfil de namoro é real tem interesse legítimo suficiente para justificar essa consulta pontual.
O GDPR é relevante para usuários brasileiros que interagem com plataformas europeias ou cujas informações são processadas por operadores baseados na UE. Para usuários exclusivamente no Brasil, a LGPD é a lei aplicável de forma direta.
Cápsula de citação: O GDPR não exclui os dados públicos do seu escopo. O artigo 6(1)(f) permite o tratamento quando existe um interesse legítimo que não se vê superado pelos direitos do titular. Para uma consulta pessoal razoável de um perfil público, esse interesse é facilmente configurável. Fonte: EUR-Lex, Regulamento UE 2016/679
O que diz a LGPD no Brasil?
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei 13.709/2018) entrou em vigor em setembro de 2020 e é a norma aplicável para usuários brasileiros. A LGPD segue estrutura similar ao GDPR: protege dados pessoais, exige base jurídica para o tratamento e consagra direitos ao titular. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é o órgão responsável pela sua aplicação e fiscalização no Brasil (ANPD).
Para a questão do Instagram, a LGPD apresenta dois ângulos relevantes. O primeiro é o artigo 7º, inciso IX, que permite o tratamento de dados com base no interesse legítimo do responsável pelo tratamento, desde que os direitos e liberdades do titular não prevaleçam sobre esse interesse. Uma pessoa que verifica o perfil de um match para confirmar se a conta é real tem um interesse legítimo concreto e proporcional. O segundo ângulo é o contexto de dados tornados publicamente disponíveis pelo próprio titular: nesses casos, a base jurídica para o acesso é mais facilmente configurável, embora os princípios de finalidade, necessidade e proporcionalidade continuem aplicando.
A ANPD ainda não publicou diretrizes específicas sobre acesso a dados públicos de redes sociais. Os princípios gerais da LGPD, finalidade, necessidade, proporcionalidade e não discriminação, fornecem o marco suficiente para concluir que a consulta individual e não comercial de perfis públicos não viola a lei.
Para verificar os seguidos recentes de uma conta pública de forma anônima e sem armazenar dados pessoais, acesse quemsegue.com/pt/followers. Para entender como a plataforma trata seus dados, leia a política de privacidade.
Cápsula de citação: A LGPD (Lei 13.709/2018) permite o tratamento de dados pessoais com base no interesse legítimo quando proporcional e não prejudicial aos direitos do titular (art. 7º, IX). Consultas individuais de perfis públicos do Instagram, com finalidade pessoal razoável, enquadram-se nessa base. Fonte: Planalto, Lei 13.709/2018
Quando consultar dados do Instagram seria ilegal?
A legalidade se rompe quando a finalidade passa de verificar para assediar, quando o acesso é feito por meio de credenciais alheias, quando o perfil é privado ou quando os dados são usados para doxing, extorsão, violência digital ou fins comerciais sem base jurídica adequada. A linha é comportamental, não técnica: a ferramenta é neutra. O uso é que a torna legal ou ilegal.
Estes são os cenários que claramente ultrapassam esse limite:
Assédio e vigilância sistemática. Se os acessos formam parte de um padrão de monitoramento não desejado, podem configurar crime de perseguição (artigo 147-A do Código Penal Brasileiro, com penas de até dois anos) ou stalking virtual, tipificado na Lei 14.132/2021.
Acesso a contas privadas. Não existe forma legal de ver os dados de uma conta privada sem ser seguidor aceito. Ferramentas que afirmam conseguir isso exigem credenciais alheias ou violação de sistemas, ambas condutas criminosas conforme a Lei Carolina Dieckmann (Lei 12.737/2012).
Doxing. Publicar dados de outra pessoa com a intenção de expô-la a terceiros é ilegal em praticamente todas as jurisdições, mesmo que o dado seja tecnicamente público. No Brasil, pode configurar constrangimento ilegal, calúnia, difamação ou crimes correlatos.
Uso comercial sem base jurídica. Construir bases de dados comerciais ou fazer targeting publicitário com dados do Instagram sem consentimento viola a LGPD e os Termos de Serviço da Meta (Meta Terms of Service; Meta Platform Policy).
Para uma verificação dentro desses limites, consulte o guia como verificar se uma conta do Instagram é real.
Cápsula de citação: A Meta proíbe em seus Termos de Serviço o uso automatizado ou comercial de dados do Instagram sem autorização. A LGPD reforça essa proibição no Brasil para qualquer tratamento sem base jurídica. A fronteira entre verificação pessoal e tratamento ilegal está na finalidade e na escala, não na tecnologia. Fonte: Meta Terms of Service; Meta Platform Policy
Quem responde pelo uso: o usuário ou a ferramenta?
O usuário responde pela forma como usa os dados. A ferramenta responde pelo tratamento interno que faz deles. Quando alguém usa o Last Followed para ver os seguidos de um perfil público, o acesso técnico é responsabilidade do serviço. O que o usuário faz com essa informação é responsabilidade exclusiva dele.
A ferramenta que acessa dados públicos precisa ter uma política de privacidade que explique quais dados processa, com qual base jurídica e por quanto tempo. O Last Followed trabalha exclusivamente com dados públicos do Instagram e não armazena informações pessoais de quem faz consultas. O detalhamento completo está em nossa política de privacidade e nos termos de uso.
Se a finalidade do usuário for legítima, o tratamento como um todo é legal. Se a finalidade for assediar ou publicar dados sem consentimento, a responsabilidade recai sobre o usuário. A ferramenta não responde por usos que o operador não pôde prever nem controlar, desde que tenha implementado salvaguardas razoáveis.
Para verificar quem um perfil público está seguindo de forma anônima, use Last Followed. Para entender mais sobre como os dados do Instagram são organizados, confira o guia como monitorar a atividade de seguidores do Instagram.
Perguntas frequentes
Ver os seguidos de um perfil público do Instagram é legal no Brasil?
Sim. Consultar dados de um perfil público para uma decisão pessoal está amparado pelo interesse legítimo do artigo 7º, inciso IX da LGPD. Não viola nenhuma norma brasileira quando a finalidade é proporcional e não causa dano ao titular.
A LGPD proíbe verificar perfis de namoro em aplicativos?
Não. A LGPD protege dados pessoais, mas o interesse legítimo do artigo 7º, IX é base jurídica suficiente para uma verificação individual razoável. Confirmar se um match é quem diz ser antes de um encontro é exatamente o tipo de finalidade que a lei contempla.
O que o caso hiQ Labs v. LinkedIn significa para quem usa ferramentas de análise do Instagram?
Significa que acessar dados de perfis públicos não constitui acesso não autorizado nos termos da CFAA norte-americana. Embora o julgamento não seja vinculante no Brasil, é citado como referência analógica em análises sobre casos semelhantes em outros países, incluindo o Brasil.
O GDPR se aplica a usuários brasileiros?
Diretamente, não. O GDPR se aplica a residentes na União Europeia. Para usuários no Brasil, a lei aplicável é a LGPD. Plataformas como o Instagram, que operam globalmente, devem cumprir tanto o GDPR quanto a LGPD conforme a localização do usuário afetado.
Uma conta privada pode ser vista com ferramentas de terceiros?
Não. Ferramentas legítimas, como o Last Followed, só acessam dados que o Instagram expõe publicamente. Dados de contas privadas não estão disponíveis. Qualquer ferramenta que afirme visualizá-los está usando métodos ilegais ou não é honesta sobre o que entrega.
Quais são os sinais de que uma ferramenta de análise do Instagram é segura e legítima?
Ferramentas legítimas não pedem sua senha do Instagram, não exigem instalação de aplicativo, têm política de privacidade publicada e operam apenas com contas públicas. Para entender como isso funciona na prática, veja o guia dá para saber quem visitou seu perfil do Instagram?.
Próximo passo
Ver dados públicos do Instagram é permitido quando o perfil é público, a finalidade é pessoal e proporcional, e não se ultrapassam os limites de assédio, doxing ou uso comercial. Se você tem dúvidas sobre uma conta específica, o Last Followed permite verificar os seguidos recentes de forma anônima, sem conta própria.
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